segunda-feira, 10 de outubro de 2016


Ao amor que desejo




Não me culpe pelas suas ilusões,
Não peça milhões de perdões...
Não tolere minhas imperfeições, ame-as!
Elas fazem de mim quem sou.
Não ouse lembrar-se de mim pra esquecer de alguém,
Não sou substituta.
Sou Unica.

Não me mande flores, não escreva cartas mil,
Não me jure amor eterno.
Apenas me olhe nos olhos e prove o quanto me quer.
Esqueça meu aniversário,
nosso primeiro beijo,
o dia em que me conheceu.
Só não esqueça de QUEM sou eu.

Não tenha pressa.
Ande devagar, andarei ao seu lado,
mas lembre-se posso parar no caminho... pra dançar...
Não tenha medo, segure minha mão,
se eu cair me segure, se tropeçar se apoie em mim.
Não me peça em namoro.
Me namore, com seus olhos, sua voz, sua alma...

Não se case comigo,
me eternize em seu coração e não em seu dedo anelar.
Prenda-me em seu afeto,
amarre-me em sua verdade, em seu amor.
Não minta.
Prefiro a dor da verdade ao desprezo da mentira.

Seja. Seja sempre.
Seja Você, seja seu erro,
seja sua dor, seja seu desejo.Mas seja.
Me abrace quando sentir frio,
Me afaste quando preciso for.
Me cale se eu falar demais.
Mas me cale com um beijo, assim apenas nossos corações erguerão a voz.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Às vezes


Às vezes me esqueço de quem sou
Viajo em um tempo em que não estou 
Reouço sons que já esqueci
Risadas que não tenho mais, murmúrios que perdi...

Às vezes não sei quem restou de mim
Se as migalhas que ficaram de ti
Se as dores que ficaram em mim...

Nesses momentos me refugio nas lembranças
De um tempo em que sorrir era hábito
E amar era fato.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Pássaro Insano

Pássaro Insano sobre o céu estrelado
Voando de flor em flor
Descortinando sentimentos
Escolhendo o vento, o cheiro, a cor...

Impossível de apreender
Que morre, se em gaiola
Mas se cativado pode ser guardado
em um... ou muitos corações 

Dono de seu caminho
Pode ser preso, se por vontade
Fiel a um só destino
O Infinito

Não tem limites 
Busca por desafios 
E pra todo medo 
dispõe um sorriso de coragem 

Pássaro Insano
Um dia na terra outro no céu
Um dia num lago 
Ou num chapéu 

Colecionando emoções
Amigos, risos e sons 
Quebrando regras 
Criando mundos, caminhos, sonhos 

Sendo assim, em si
O pássaro e o voo
O céu, o vento 
E o voar

domingo, 16 de dezembro de 2012

Eu, por mim mesma.



Sou meio eu em mim e um pouco fora de mim.


Sou livre, mas me prendo com facilidade a quem quero bem. Não prendo ninguém a mim. Não gosto que me prendam.
Odeio regras. Quebro normas e refaço.
Sou criativa, mas curto uma preguiça.
Não me faço de rogada. Odeio meias palavras. Se não for construtivo, prefiro ficar calada... Mas de vez em sempre, falo demais.
Canto no chuveiro e fora dele.
Adoro musica, musica boa me encanta! Musica romântica me embala. Mas gosto de letras fortes, impactantes. Melodias graves, intensas, vivas, eufóricas.
Já fui roqueira, já fui nerd, já fui black. Nunca fui santa. 

Leio por prazer e sem prazer também. Leio de quadrinhos a Dostoiévski.
Falo Sozinha. Adoro minha companhia. Dou risada dos meus erros e me critico por eles depois, mas não muito. Tolero minhas imperfeições. Exijo muito de mim, mas não gosto quando outros o fazem.
Curto passeios com uma galera animada tanto quanto uma caminhada a dois, calada.
Prefiro a Lua ao Sol. Prefiro o campo ao mar. Mas não dispenso a praia.
Guardo pequenas recordações. Não sou boa com nomes. Me perco e me acho muitas vezes.
Sou dona de mim quando me permito, mas, ás vezes, gosto de ser dependente.
Adoro viajar, pra longe ou pra perto... Adoro dançar, sozinha ou acompanhada.

Desconfio do amor, suspeito sempre da melancolia, gosto de sentir saudade, mas gosto ainda mais de matar saudade.
Sou fã de filmes melosos, com beijo na cena final, tipo água com açúcar...
Gosto de cachorros. Prefiro gatos. Mas, tenho um hamister, ou ele me tem, sei lá.
Já fiz besteiras. Já superei medos. Já errei e quebrei a cara. Tenho arrependimentos, mas nenhum me dói tanto. Já me diverti muito, já sorri e chorei no mesmo instante.

Já dormi sob a lua. Já acordei com uma tempestade.
Já senti o amor chegando, já chorei quando ele foi embora. Já perdi a fé nele e ela me encontrou outro dia...
Acredito em Deus, não no destino. Acredito em escolhas e conseqüências, mas não em fatos dados.
Acredito em construções e reconstruções. Acredito no inacabado, nas possibilidades futuras, nas idéias absurdas, em utopias e finais felizes. 

Gosto de casa limpa, mas não muito arrumada. Gosto de casa com vida, onde as coisas trocam de lugar muitas vezes, onde tudo se tem a mão, ou se perde na confusão...
Gosto de pessoas, mas não todas. Gosto de gente que gosta de gente. Gente de cara limpa. De alma tranquila e fala corrida.
Gosto de quem tem história pra contar e que gosta de ouvir história. Gosto de cabelos cacheados e olhos escuros.
Odeio gente mesquinha. Não faço fofocas.
Não crio grandes expectativas a respeito de ninguém e de quase nada.
Me decepciono, mas procuro não guardar mágoa. Guardo sorrisos e gestos.
Lembro de cheiros da infância que adoro: de terra molhada, de mato fresco, de fruta madura e bolo no forno. Gosto de casa cheia, de barulho de gente festeira. 

Já quis ser médica, jornalista, ter uma corretora, escrever um livro e ser atriz.
Já quis morar em Londres, passear pelo Cairo e me esconder nas Andinas.
Já desisti de alguns sonhos. Inventei outros. Alguns estão guardados... esperando o momento certo de despertar...
Já fui loira, ruiva e morena... Não me acho feia, nem bela. Não sou perfeita. Fui magra poucas vezes, mas ainda não perdi as esperanças.
Gosto de homens mais velhos, mais altos, mais inteligentes e mais divertidos que eu.
Gosto da beleza. De obras belas, pessoas belas, imagens belas, palavras belas e principalmente, atitudes belas.
Não sigo padrões de beleza. Brigo com a balança, mas o chocolate me acalma.
Não estou alheia a moda, mas me visto com o que gosto e posso. Quero bem mais que tenho, mas não sofro por isso... só as sextas e sábados ou ás vezes, no domingo. 

Amo ensinar e adoro aprender. De todas as maneiras.
Já quis ser rica, mas não me rendo ao dinheiro. Trabalho com o que gosto hoje, mas trabalho por dinheiro, se fosse por diversão seria hobbie...
Quero ter filhos, uma casa grande com varanda e jardim e um gato preguiçoso.
Quero escrever livros, realizar pesquisas e deixar algo interessante pra humanidade.

Uma frase que amo: Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia, o verbo, a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto... depende de como você vê! (Fernando Anitelli)


sábado, 18 de agosto de 2012

Vontade Nova


Hoje acordei com uma vontade enorme de ser Eu
De me vestir de mim e perfumar minh'alma
De me fazer menina e rir meu próprio riso
Hoje eu acordei mais Viva...
E não quis vestir as velhas roupas de outrora
E dizer verdades que não são minhas
Andando caminhos que não escolhi
Hoje, escolhi seguir meus próprios passos
E deixar livres meus pés no barro
Sentir a terra e o cheiro dela  
E saborear os gostos que trago dentro de mim
Hoje decidi viver de escolhas
E esquecer as certezas e as rimas
Ter por companhia meus Eus
O Eu que sou quando estou brava, zangada
O Eu que sou quando estou amando, apaixonada
E os muitos outros Eus que sou
Em cada instante, em cada gesto ou palavra
Escolhi me encher de idéias e descartar as razões
Ter por amiga a Loucura
Redesenhar minhas paixões
Escolhi ter outras cores, outros amores
Esvaziar a caixinha de opiniões
Joguei no ralo o Certo e o Errado
Decidi reconstruir confusões
Compor minha própria melodia
Ser minha Orquestra e Sinfonia
Resolvi ser Eu, apenas Eu, assim mesmo
Sem chaves, segredos ou medos.

(Andrea Barbosa)


sábado, 30 de junho de 2012

A faxina


Hoje tirei todas as coisas do armário da minha alma e resolvi limpar. 
A faxina é geral... 
Vou jogar fora sentimentos velhos, que guardei pra dar pra quem nunca serviu. 
Descartei mágoas que agora são pequenas e não cabem mais em mim, outras que são grandes demais e ocupam espaço em vão, afinal mágoa é sempre tão feio! 
Também reorganizei minhas prioridades. Algumas realmente precisei reciclar, outras percebi estarem mais na moda pra mim... As que estavam velhas demais joguei fora.
Redescobri sonhos... estavam no fundo de um baú, num canto do coração, mas ainda são lindos! 
Alguns estavam empoeirados pelo tempo... limpei, lustrei e coloquei na minha cabeceira, assim posso vê-los com frequência e me lembrar que preciso usá-los. 
  

Debaixo dos cobertores de Conforto tão quentinhos encontrei muito perdão guardado e dei alguns, outros coloquei na escrivaninha, assim sempre que precisar posso dar a alguém.
Encontrei um punhado de Atitudes que eu achava que tinha perdido: Solidariedade, Coragem, Determinação, Garra e Alegria. Fiz combinações entre eles, assim posso usá-los sempre, aliás ficam lindos e muito úteis quando combinados! 
Acessórios vintage também encontrei: o cinto velho da Amizade que me cabe tão bem, as bolsas da Paciência e da Tolerância sempre tão úteis e que são difíceis de encontrar no mercado hoje em dia! 
Achei meus colares! O de pérolas de Felicidade estava meio quebrado. 
Concertei, afinal pérolas são pérolas não é mesmo? Estão sempre na moda, é um clássico! 
E verdadeiras como essas são raras! Não se pode perder! 
O de strass de Juventude lustrei, como brilha! 
Mesmo já estando meio velhinho, se cuidado nunca perde o brilho. 
Encontrei pulseiras de Infância! São meio retrô mas dá pra combinar bem com o cinto da Amizade. Ficam tão coloridos! Perfeitos pra usar com meu tubinho básico de Dia-a-dia. 
De repente encontrei aquela caixa... limpei a poeira de Saudade que estava sobre ela e abri... Senti o cheiro adocicado de Bons Momentos que emana dela, reconheci Memórias, Tempos e Pessoas. Confesso que nesse momento chorei. Não foi tristeza, acho que foi um cisco de Saudade que entrou em meus olhos, não joguei quase nada fora. Limpei com carinho, só joguei fora os velhos retratos de Tristeza e Solidão que ainda estavam lá. 
Achei que tinha terminado quando esbarrei nele: o Amor. 
Levei um susto! Não me lembrava de como ele era largo, gostoso... E lindo! E de como fico bem nele!
Sorri, e me vesti de Amor, ficou perfeito! Como na primeira vez que usei.
Coloquei um Sorriso junto, anéis de Bondade nos dedos e calcei as sandálias da Fé, elas são tão confortáveis e me deixam tão segura! 
Me olhei no espelho e percebi: Não há nada mais que eu precise comprar. Tudo o que tenho me basta.
  


terça-feira, 22 de maio de 2012

Vida e Morte sem Severina*



Seca, anseio, morte
Abandono no regaço de sua madre
Um tanto de si deixado pra trás
Um tanto de outro levado em si
Onde estás Severina?
Onde estão os retirantes?
Retiraram-se todos por medo?
Oh morte! Deste cabo aos teus filhos?
Oh Seca! Encontras-te fim nas lagrimas por eles vertidas?
Oh Pátria! Onde estão teus ouvidos que não ouvem
Os gritos gemidos deste povo?
Onde estão teus olhos que não vêem
O olhar sofrido de quem não tem esperança
A dor expressa nos olhos da desnutrida criança?
Onde estão teus braços
Que deixam caídos a míngua teus filhos?
Até mesmo a ti Severina se refere esta pergunta
Nem no canto ou no pranto
Encontra-se a resposta
De onde o retirante achará
Em sua terra abrigo, paz e alimento?